FERNANDO CARPANEDA

Fernando Carpaneda, artista plástico nascido em Brasília, Brasil, trabalha com esculturas em argila. Observa pessoas nas ruas, bares, shows e lugares destinados a prostituição. Faz retratos de garotos de programa, punks, viciados, assaltantes e marginais. Usa, ao invés de musas, a nudez masculina para compor suas obras, tendo o homem como tema principal de seus trabalhos. Todos os retratos são como um relicário, um santuário, um momento capturado no tempo. Usa como base para os retratos objetos que tenham uma ligação íntima com a pessoa retratada: objetos usados por eles mesmos - como pontas de cigarros, camisinhas, latas de cervejas, roupas intímas, sêmem, caixas de creme dental. A técnica empregada é a argila. Uma técnica semelhante era usada no século XVII para pintar imagens de Santos Barrocos. Veste suas esculturas com tecidos de suas próprias roupas. Costura e cria todas as roupas que estão nas peças. Também acrescenta cabelo humano na maioria das esculturas, sendo que a maior parte desses cabelos é o dele mesmo (prática bem comum no Século XVII). Um relicário atual que consiste em preservar uma época, pessoas comuns que viveram nela. Escreve sobre suas obras usando a grafia de rua como textura de fundo. Nestas texturas é possível identificar frases e anotações sobre a pessoa retratada. Mais um elemento urbano que usa. Sua ligação com a Obra de Arte é parte fundamental do processo criativo. Parte do princípio que o Artista é a própria Obra: convive com a maioria das pessoas ali retratadas e há 20 anos freqüenta o mesmo meio que elas. São fragmentos da sua memória que estão ali. Seus amantes, suas decepções, suas experiências com drogas, sua vida nas ruas, bares marginais, depoimentos de pessoas que já faleceram. Depende desse meio para criar, sem essas pessoas não existe.